Uma ideia para a alfabetização digital de professores de medicina.

Até alguns anos atrás, muitas faculdades ainda mantinham os chamados “laboratórios de informática”, algo assim como as “salas de informática” das escolas. Um lugar para onde se ia e onde se ficava. Um professor ou monitor orientava os alunos e era isso.

Mas os tempos mudaram. A velocidade com que as tecnologias de informação e de comunicação chegaram e se mantêm, as novas gerações que já nasceram neste “caldo de cultura” digital, o volume imenso de aplicativos, programas e serviços hoje disponibilizados – tudo isso tornou rapidamente obsoletas e absurdas algumas ideias ou lugares.

Todos os dias percebo as minhas dificuldades ao tentar me apoderar de recursos tecnológicos para usar com meus alunos. Nem imagino as dificuldades de meus colegas professores que não sejam tão entusiastas como eu das TICs. Na verdade, acho que eles nem chegam a tentar. Passo horas por semana às voltas com tutoriais, “abouts”, “how to” até conseguir efetivamente pôr em uso algum recurso. Isso quando não atravesso algum problema técnico insolúvel para mortais não-geeks…mas ainda assim não desisto e é ótimo quando me deparo com algum aplicativo tão bem pensado, tão intuitivo, que em dois toques ele já está sendo incorporado aos meus recursos. Mas quantos professores de medicina têm tempo ou paciência pra isso? Quantos têm o devido preparo ou formação pra isso? Acho que muito poucos.

Eu me pergunto se e como as escolas médicas estão incorporando esses recursos atualmente. O mercado está cheio de soluções fantásticas que podem ser usadas em paralelo à ambientes virtuais muitas vezes já ultrapassados ou cansadinhos…mas quem decide isso? Com que liberdade? É possível que jovens estudantes estejam hoje recorrendo à várias dessas soluções, com ou sem o conhecimento de seus professores. E o que os professores já devem estar compartilhando com seus alunos de medicina? Google Docs? Dropbox? Algo além disso? Quem tem essas informações do que está rolando?

Se eu olho para o cenário acima vejo lacunas, buracos que estão sendo preenchidos como o contexto permite, de acordo com a situação. Mas isso não é suficiente. Há um número razoável, talvez imenso, de professores de medicina absolutamente defasados digitalmente. E quando isso vai ser resolvido? Quando todos forem “capacitados”? E isso será viável? E quem vai ensinar? Os departamentos de TI das universidades? Professores de informática?

Todo mundo já sonhou com um “filho nerd” no quarto ao lado, pronto para resolver aquele seu insolúvel problema no computador. É o sonho de consumo de quem quer que esteja na frente de um computador mas que não se considere um expert. Eu penso se isso não poderia ser transportado para o contexto das nossas faculdades. Estudantes jovens auxiliando professores. Yeah, why not? Como dizia um amigo meu, norte-americano, cada vez que vinha com uma solução incomum para um aparente insolúvel problema comum. Jovens alunos de cursos da área de informática ou de sistemas de informação poderiam passar a atuar como monitores de professores, auxiliando no emprego de aplicativos e outras soluções para o ensino médico, resolvendo problemas na adoção das ferramentas, fazendo ajustes, ajudando a montar coisas banais como infográficos, páginas disso ou daquilo, etc.

Se nos declararmos analfabetos digitais e se olharmos para o nosso lado, talvez a solução para tantos problemas esteja lá.

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